quinta-feira, 16 de julho de 2026

 A Formula Missae de Lutero, uma revisão evangélica da Missa latina, surgiu em 1523. Ela estabelecia princípios e sugeria formas litúrgicas. Em 1524, foi introduzido o Teutsch Kirchenambt em Estrasburgo e, em 1525, a Missa Evangélica de Doeber em Nuremberg. No mesmo ano, Conrad Rupff, mestre de capela do Duque da Saxônia, e Johann Walther, seu assistente e sucessor, auxiliaram Lutero na organização da música para a sua Missa Alemã (Deutsche Messe), que foi impressa no início de 1526. A ordem de Bugenhagen para Brunswick foi concluída em 1528; a de Hamburgo, em 1529; e a sua ordem dinamarquesa, em 1537. Na Suécia, Olavus Petri publicou seu Manual, que fornecia formas evangélicas para o Batismo, Casamento, visita aos enfermos e sepultamento, no início de 1529. Essa foi a primeira obra protestante desse tipo. Petri seguiu com sua importante e relativamente completa Missa Sueca em 1531. Dois anos depois, em 1533, duas Ordens influentes foram autorizadas na Alemanha — a Ordem de Brandemburgo-Nuremberg, preparada por Brenz e Osiander para a próspera e amante das artes cidade de Nuremberg; e a Ordem para a cidade e jurisdição de Wittenberg, que substituiu as ordens pessoais de Lutero e Bugenhagen, sendo dali em diante utilizada por eles. Nos anos seguintes, muitas cidades e províncias da Alemanha emitiram Ordens semelhantes. Muitas delas mantiveram porções do culto em latim, mas todas buscaram fornecer formas aceitáveis na língua vernácula.

Essas Ordens diferiam consideravelmente umas das outras. Mas, com o tempo, surgiu especialmente na Saxônia, no norte da Alemanha e na Escandinávia um tipo definido e geralmente aceito de liturgia. A Ordem de governo e culto que Justus Jonas e seus colaboradores Spalatin, Cruciger e Myconius prepararam em 1539 para o Ducado da Saxônia forneceu um padrão típico do culto luterano, com o qual as liturgias de Mecklenburg, Lüneburg, Calenberg e de outras cidades e estados do norte da Alemanha, em suas edições sucessivas, estão em estreita concordância.

É interessante traçar a relação de muitas dessas Ordens entre si por meio de conexões políticas e eclesiásticas e do uso de material litúrgico idêntico. Buscamos semelhanças como a ordem das partes, exortações idênticas, Coletas, orações, Versículos etc.

Os cultos do século XVI foram, principalmente, traduções e revisões das liturgias latinas medievais, com alguns novos elementos. A pureza da doutrina era cuidadosamente guardada; o sermão ganhou maior importância; o calendário foi simplificado; o canto eclesiástico tomou novo impulso; as antigas entonações musicais do ministro e a melhor música do coro foram cuidadosamente preservadas. Foram introduzidas uma Ordem de Confissão Pública, a Oração da Igreja, uma exortação aos comunicantes e algumas novas Lições e orações. No geral, porém, todo o esboço e a estrutura do culto da igreja ocidental por mil anos foram preservados. Apenas o que era contrário às Sagradas Escrituras ou de outra forma objetável foi removido.

Extraído/traduzido de:

REED, Luther D. Worship: a study of corporate devotion. Philadelphia: Fortress Press, 1959, p. 63-64.



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